Na escuridão do meu quarto sinto apenas o silêncio tateando o piso frio,
E sobe o calafrio do verso querendo adoecer o corpo já fraquejado de todo dia viver.
A luz está na mão de quem toca um lápis,
Sente, e vibra, e retorce o ser, rima de não crer na realidade imposta. Ah, verso maldito que insiste me dominar, eu lhe expondo como gíria.
Sou teu animal, me comande e lhe obedeço, teço a prosa como quer, deixo expor tudo que é e nada mais significa, deixa ser cruel, ou mesmo felizardo, nada supera tua força que me atinge como ondas do mar.
E quando escrevo a lua brilha, quando escrevo o mundo gira, quando escrevo a dor se vai quando continua sentida.
Ah, doce poeta, escravo do sentimento, servo das palavras. E desatina nesta ferida que rompe teu peito, se escreve, também chora, escreve e ri,
Escreve, urre e morde os lábios ao saber que os teus versos não são de verdade, e vive a impossibilidade de criar um mundo que não existe quando rabisca o papel.
Apodrece teu coração, ou enriquece tua mente, liberte o grito que se faz presente no interior de cada um, valendo por um só.
Verso! Grite comigo, durma comigo, acorde comigo, pense comigo! Ah verso! Torna meu corpo um suicida, reflita em mim o meu eu.
E assuste com quem sou, ou distorça este ser, constrói teu poeta do jeito que lhe for conveniente.
Névoa encobre a rua, os sons da madrugada são abafados, o mundo está calmo quando o poeta se desespera.
Este ritmo contrariado, animal diferente. Rosas vermelhas me parecem sangue, o mar me parece mistério, a dor resplandece como meio de viver.
Sou poeta, animal sem definição em latim.
Existo somente, ausente de sentido, obedeço ao verso.
A chuva lembram lágrimas, o véu esconde o corpo, o verso depravado, desperta o prazer de muitos, quando eu por eu, faço muito pouco.
Poeta, eu sou, eu não sinto o viver, eu sinto o verso!
Eu vivo o verso.
Bianca Maegi
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