terça-feira, 27 de dezembro de 2011

A Ruína

Disse eu para um anjo:
- Talvez minha pior qualidade seja ter um coração bom, um coração que se deixa ser usado, machucado, abusado e continua se ferindo. Deve ser fraqueza, fraqueza em ser forte por mais de um, senão por todos. Força? É mais uma palavra de sentido múltiplo... Se força fosse algo só, eu não sofreria tanto. 
Sabe, ser bom nunca foi tão ruim, é assustador querer o melhor para alguém sem saber se é recíproco. Não que reciprocidade seja meu desejo, não peço nada em troca, meu esforço é individual e contínuo, sem cobranças, porém, tentarão sugar você. Sugar... Verbo horroroso, no entanto, é meu verbo enlaçado num outro alguém tentando tirar meu eu de mim. Estranho, não é mesmo?
Mais estranho seria se as pessoas aceitassem bondade sem querer tomá-la para si. Nosso mundo é egoísta, querer o bem de todos só fará todos quererem você fazendo o bem para eles, individualmente.
Sabe, nascer de novo seria meu último pedido, mesmo que nascer signifique abandonar aquilo que fui no passado, sem pensar nas consequências do futuro e sequer tornar-me o que sou hoje.
E quantas vezes não quis voar, até que a realidade de outro me puxasse para o chão? Os outros, [tantos outros]...
E por que insisto em vestir esta máscara de ser forte, se no fundo todos sabem que serei fraca? Fraca para render-me aos corações aflitos e tomar a aflição para mim.
Pois então... Eles foram felizes, apodrecendo meu coração. E nunca aprenderão como sorrir sem precisar me ver chorar.
Entretanto... Foram lágrimas tão bonitas.
Comovente, minha alegria é comovente! Senão, de que adiantaria sofrer para ser feliz? 
Felicidade... É tão fácil, é de graça, é linda, e eles tentam capitalizá-la. Sou feliz em servir, sou feliz em chorar, sou eternamente graça por tirar o sofrimento dos outros e sentir este sofrimento em mim.
Sabe, é coisa de nascença, veio no sangue e sangue ninguém tira.


O anjo olhava desorientado, devia ser tontura, estávamos num lugar muito alto, e pisávamos próximos à um precipício, abaixo seriam ruínas, dor, desespero, um passo em falso... Tudo acabaria. Ele pegou minha mão, estendeu suas asas formosas e suaves. Tudo me foi tão lindo... Meus olhos cheios de brilho. Porém, soltei da mão dele.


- Suas asas são maravilhosas, espero um dia tê-las comigo. Seria tão equivocado me levar contigo, como um anjo olha acima de alguém, se este alguém está na mesma altura? Seu olhar deve ser profundo, profundo como a ruína de ser humano. 


Ele tentou me segurar, mas era tarde, dei um passo para trás e cai... O buraco era tão grande que a queda era suave, vi meu anjo por alguns segundos observando-me afundar, depois... Sobrou eu e a queda. E pensava comigo:


"O tamanho da ruína deve ser o tamanho dos problemas do homem, se bem que não existe homem sem problemas... Tamanha ruína não cabe à mim tapar, mas poderei eu cobrir um pouco desta profundidade? Só sei que nasci para ajudar e saber ser ajudado, por acaso surgem obstáculos que tornam o ajudar algo mais complexo. Será que serei sugado? Se bem que todos somos naturalmente por esta ruína. Pode-se concluir que ninguém suga ninguém, apenas busca tranquilidade na paz de outro, e ainda assim, não me soa bem. Paz... Palavra múltipla. Detesto palavras múltiplas, talvez eu deva parar de falar então... Tudo é múltiplo quando se encara pessoas diferentes. E minha face é múltipla sendo uma só, no fim, dá no mesmo, toda face termina em crânio, é tudo igual, brincando de ser diferente... É o múltiplo se limitando em ser zero. E esta queda não acaba nunca... O vento contra meu corpo, zunindo e incomodando, parece a respiração de algo ruim e não serei eu que vou tirar-lhe o fôlego. Meu pretexto é dar fôlego aos afogados, aos humanos afogados, mesmo que dividir meu oxigênio seja o mesmo que suicídio."


Atingi o chão, sentia meus ossos fraquejados pela dor da queda. Ao levantar, notei que a ruína continuava a mesma merda, cheia de gente mal resolvida com a vida, cheia de pessoas querendo consolação... 


"Será que um dia, elas escaparão daqui e chegarão onde eu estava minutos atrás? Capaz que pulem para cá novamente, achar um lugar bom assusta porque parece um lugar inalcançável. Então, eu também tive medo? Pois é, tive medo. Medo de largar este mundo sem cumprir minha missão, eu tive que voltar, é cedo, muito cedo." 
"Agora entendo porque gosto das asas do meu anjo...
Sei que o único jeito de sair daqui, é um dia conquistando elas."
Bianca Maegi

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Careful

Entenda...
Nem sempre eles falam sério,
Eles não sabem ser verdadeiros,
Tudo é uma jogada de mestre,
[ Uma vítima, um assassino ]

Prefira o amor que eles escondem de você,
Aqueles que demonstram, claramente, estão fingindo amar.
Escolha os assassinos brutos,
Os pensadores causam muito desastre.

Saiba fingir
[ Para saber sobreviver ]
E esconda qualquer sintoma de estar sendo a vítima.
[ Os melhores sempre são assassinos ]

Perdoe e guarde lembranças,
Inteligente aquele que memoriza nomes.
Atinja o mais profundo deles
Bloqueie aquilo que os leva até você.

Não seja uma rocha
[ Uma hora elas quebram ]
Mas, seja uma corrente de ar.
[ Aprenda a ter transparência ]

Fale sempre e saiba as respostas com antecedência.
Apenas entenda eles.

[ Sendo que você sequer os conhece ]

Bianca Maegi

domingo, 11 de dezembro de 2011

Crítico

O amor é repulsivo, não é mesmo?
E repele-se de nós para se apegar num outro alguém.
Uma troca simultânea de repulsividade, talvez.
Tudo que colide, acaba cedendo.

Adorável, quando os corpos estremecem juntos.
Rapidamente se amando,
Uma guerra entre anjos e demônios,
Concedendo desejos além da mente humana.

As mãos podem ser nuvens,
As mãos podem ser garras,
Ninguém sabe o gosto do outro
[E vai cair na tentação de saber]

Por que a sensação é do paraíso, se tudo é tão carnal?
E parece perfeitamente uma catástrofe.
Inveje os que estão muito bem juntos,
Mas não se iluda, o amor politicamente correto é disfarce.

E quando cansar de criticar os amores externos,
Descubra o amor carregado consigo.
Iremos amar até que um dilúvio nos afunde,
Tocaremos nossas peles até que peguem fogo,
Descobriremos que o amor acaba rápido,
Porque tem pressa de recomeçar.

E lá vamos nós, novamente...
Nas profundezas do ato de sentir,
Sentir sem pensar.
[Pois pensadores não amam]

Bianca Maegi

domingo, 13 de novembro de 2011

De Heterônimo Para Heterônimo

Senhor Pessoa, como conseguiu?
Ensine-me como fingir ser, sem ser completamente.
Como vencer o heterônimo que vira pessoa?
[Hein, senhor Pessoa?]

Leve consigo à Portugal, este alguém que toma posse de mim.
Eu imploro como quem faz oração.
[Quase perdendo a fé]

Você pode escutar? Eis que respiro em silêncio, enquanto meu eu grita por dentro.
Onde será que ele foi preso?
[Hein, senhor Pessoa?]

Você diz que enquanto eu não aprender o significado da confiança,
Enquanto eu não aprender o sentido da vida,
Enquanto eu não deitar-me pela noite e deixar a lua puxar-me da cama,
Enquanto, enquanto, enquanto....

A solidão corroer, a dor de não ser, a religião desaprender.
Desaprender que poeta não reza, poeta escreve.
Poeta é proeza, é luz na clareza,
É fogo no breu, pessoa que se perdeu.
[E no fim ser achada]

E mesmo aprendendo tudo isso, saber que ainda é muito pouco para prever o que está por vir.
Senhor Pessoa, enterra em Portugal esta pessoa me puxando.
Ela tapa meus ouvidos e não escuto o senhor.
Parece que o B. voltou mais forte e desta vez consegue me matar.
Nenhum M. vai aguentar, tamanha destruição.
E sem saber qual é minha pessoa, eu te pergunto como poetizar sem perder o rumo das coisas.

[Hein, senhor Pessoa?]

Bianca Maegi

Fernando Pessoa Estava Certo

"Calma, vai passar..."

Foi o que disseram quando perdi a noção do espaço, a noção do tempo.
Quando a impaciência me atingiu no peito e desacordou meu eu.
Como diria Fernando Pessoa: "Quando fui outro..."

Este meu outro matando o eu verdadeiro.
[Para sempre]
As palavras ficavam confusas, enquanto a vida fazia sentido.
E percebi que eu tinha tudo, amando incondicionalmente nos dias obscuros, folheando as páginas da amargura, que tiravam de mim os melhores sorrisos.
[Sinto falta]
Quero meu eu de volta, enquanto o outro continua a me destruir.
Se soubesse que experimentar levaria a perdição...
Antes nunca ter experimentado.
Talvez minha filosofia de vida tenha falhado, e como quem quer voltar atrás...
Continua sendo empurrado para frente.
Procurar a morte parece trágico.
[Mas como matar aquele que já está morto?]
Promessas equivocadas, promessas desnecessárias.
Eu era muito nova e quis ser adulta.
Eu era o fogo que virou cinzas.
E nenhuma fênix vai reanimar.

Fui a negação tentando ser aceita.
[Porém, ganhar um "sim" nem sempre é agradável]

"Calma, vai passar..."

É questão de tempo pro teu eu virar outro, e quando for outro... Tudo passou.

[Eles não sabem, quando fui outro, perdi o gosto pelos versos]

Bianca Maegi

domingo, 28 de agosto de 2011

Suddenly

Aquele dia que acordo sabendo que nada vai ser,
O espelho reflete meu tédio e essência de perder a contagem dos dias,
Numa brusca parada do existir por aí,
A coexistência com meu mundo interior.

Aquele dia que você menos espera a frustração de perder a viagem,
Aquela tarde que desespera como o nada,
Eu sigo e apenas sigo até encontrar quem mude meu dia.

De repente no sossego chega um chamado desconhecido,
Da atenção se fez um amigo [Juro que por essa não esperava] 
E grande dádiva foi aquela,
No dia mais quieto da Terra,
Na tarde mais simples no meu recinto,
Na noite mais...
[Repentina do meu destino]


Bianca Maegi

sábado, 2 de julho de 2011

Linguagem Corporal

Quando te abraçar, entenda que estarei puxando aquilo que te aflige para mim. 
Meu corpo suporta o peso da tua dor, porém, insuportável seria deixar-te doendo. 
Quando aperto tua mão, não quero criar cena.
Minhas mãos mostram estar presentes para segurar-te quando preciso.
Se aperto com força, mostro o quão forte posso lutar por você.
Quando beijar teu rosto, não recuse.
Afeto é uma pequena qualidade das quais possuo. 
Quando olhar em teus olhos, encare de volta.
Não sou enigma, nem sinal de repreensão.
Sou aquele que olha por apoio.
E compreende que meus sinais de amor estão nas coisas simples,
De complexo, basta a vida não é mesmo?
Por que você não aperta minha mão...
[E segue para o desconhecido?] 




Bianca Maegi

Under Pressure

Olharei para céus, aqueles céus transparentes como a luz. 
[Tão transparentes que não enxergo]
Busco na estreita passagem da vida motivações para seguir em frente,
Será meu corpo capaz de suportar o peso destes caminhos perdidos em linhas inacabadas?
Vejo finais, mas insisto em recomeços.
A vida parece curta demais para retomar meus rumos de conquista.
No chão arrasto os problemas, jogando sonhos pelos ares.
[Quem sabe voem para perto de quem amo]


Não sei se meus tombos trazem aprendizagem, ou se, apenas aprendo como tombar com estilo.
Talvez as feridas estejam abertas naturalmente, nem um beijo maternal cura a dor que me persegue.
Podem ser risadas e lágrimas, são expressões vazias.
Estou no dia sem céu, sem luz, sem motivação.
Durmo em noites de solidão, com sonhos voando.
Estou apenas... Pensando...
[Ainda assim, pensar dói]




Bianca Maegi

domingo, 8 de maio de 2011

Aos Anjos que Choram

Destino moribundo, tenha piedade do meu anjo que segue sem rumo caído do céu. 
Pois, ao paraíso ele não volta, tudo que precisa é ficar aqui.
[ Perto daqueles que ama, daqueles que merece estar ]

Meu anjo que segue perdido aos espinhos, anjo querido, levanta... Siga comigo.
Nós precisamos um do outro.
[ O céu pode te esperar ]


[ E o destino, pode esperar também ]


Bianca Maegi

quarta-feira, 4 de maio de 2011

[Os rastros de R.L.]

... Porém, eu te amo. Quem dera essa frase pudesse inverter o destino...
[ Ou então suborná-lo ]
Quem dera alguma flor do meu jardim tivesse extraído teu cheiro, e que nossas fotografias transcendessem a realidade.
Feliz aquele que para estará ao teu lado, felizes os filhos que amados serão por você.
Não vencerão teu orgulho, como não vencerão minha saudade física.
[ Já que tua ausência interna, está ausente ]
Enquanto o universo conspira contra o que fui, ou aquilo que sou, deixarei que ele tire tudo de mim. Ele nunca alcançará o que existe no subconsciente, o intocável magnata das imaginações.
[ Minha ligação com o obscuro do meu eu nunca esquecerá de ti ]
Promessas comprometem a hora do adeus, pois foram tantas promessas não cumpridas...
[ Então, prefiro as lembranças ]
Gosto dos bilhetes sinceros, das conversas exclusivas, dos objetos trocados, e tudo guardo como lembranças.
Nas noites sentirei os abraços, nas manhãs acordarei com os risos, pensarei que tudo foi um sonho, quando na verdade... São lembranças.
Talvez virão lágrimas, desde que sejam por um bom motivo. Talvez venha a loucura de tomar o rumo desconhecido e apenas seguir as pegadas que tu deixou. Tudo para chegar até você novamente.
[ Tudo para tornar lembranças, uma realidade ]
Alguns dizem para termos sonhos, porém, manter os pés no chão... Então numa conclusão esquisita, suponho que eu deva apenas seguir, sem desejar nada demais, senão, um dia matar minha saudade física.
[ Enquanto procuro teus rastros, continue levando meu símbolo de amor eterno, carregue o anel que me liga até você ]
Então um dia meu rumo tomará sentido, e chegarei até você. Só para concluir que nada mudou, o sentimento ainda é o mesmo de anos atrás. E diferente dos fracos, escravizados pela distância, veremos o quanto fomos fortes em sustentar o pequeno fio de esperança...
[ O fio do reencontro ]
Talvez eu fique mais complexa do que hoje, sabe como é... O tempo nos torna uma progressão sistemática das nossas características. Alguns evoluem para melhor. 
[ No meu caso... Dependerá do "ponto de vista" ] (risos)
Entretanto, continuarei "analisando" tudo que me parecer possível, continuarei guardando lembranças numa certa caixa secreta, continuarei conversando com o vento e fingindo que alguém está bem na minha frente, ouvindo.
[ Ninguém toma o lugar de ninguém dentro de mim, é neste momento que tua exclusividade fica marcada ]
Assim eu sigo desorientada, rindo, chorando, falando, gritando, suspirando o desejo de o destino mudar.
[ Nunca perdendo o egoísmo de querer tua presença de volta ] 
Como se... O coração tivesse boca para rir, tivesse mãos para abraçar, tivesse pés para te seguir...
[ Acima de tudo, ele tem uma paciência desgraçada para encontrar você ] 
Algum dia olharei para mesa onde tu ficava, talvez alguém esteja sentado ali para disfarçar o buraco, mas o vento não me engana... Teu perfume não está mais ali, então surge ausência física.
[ É quando me basta ter presença subliminar ] 
Quando tu rever minha caixa secreta, talvez os segredos tenham multiplicado, talvez diminuído, talvez... Seja a mesma porcaria.
[ Tanto faz, tu nunca irá surpreender-se com o que está dentro, pois já saberá de tudo ]
Então perceberá que adotei-lhe como meu próprio diário e que confio mais em você do que qualquer caderno com tranca de ouro. Notará que por mais que minha crença em algo superior seja fraca, ainda creio que tu é, e sempre será, meu anjo preferido. 
[ Então pode rir, em tão pouco tempo já mudou a vida de alguém ]
(pausa dramática para chorar um pouquinho)
(...)
(...)
(recompondo)
Ah... Não sei se é um "Ah" de insatisfação, tristeza, surpresa, realização... Deve ser o famoso "tudo ao mesmo tempo" que tanto usam por aí. A verdade é que não importa o quanto eu diga, tu sabe como me sinto, e sabe da inutilidade de continuar lendo isto aqui. 
[ Tu já sabe de tudo e continuar lendo pode causar náuseas... ]
Se bem que... No fundo tu gostaria de ler mais um pouco, só para inflar teu sentimento de ser amada por alguém, e quer saber? Continue lendo, tu merece cada palavra. 
Releia se preciso, exponha ao mundo o que viu, ou guarde consigo o valor das frases... Faça alguma coisa, desde que ponha um sorriso na cara. 
[ Porém, continue sendo de carne e osso, chore quando achar necessário ]
Afogue as dores num travesseiro e finja encostar no meu ombro, aperte o Bob bem forte e finja que está me abraçando. [ Por favor, não o enforque ] (risos)
Porém, se qualquer tentativa de suprir a ausência seja falha, olhe para o anel... É a única coisa que pude deixar como lembrança física, algo que tu possa tocar. 
Eu devo ter falhado em alguns aspectos... Deixei o melhor para depois, sem perceber que o depois seria tarde demais...
[ Deplorável, não é mesmo? ]
Talvez, eu devesse agradecer mais, respeitar mais, valorizar mais... Mas vou deixar como sendo uma experiência progressiva... Aquela busca imbecil pela perfeição, sabe?
De progressão, só me importam nossos laços.
[ Tomara que não ocorra rompimento ]
Como dizia Cássia Eller: "são palavras, apenas palavras pequenas... Palavras."
E pensar que em pouco tempo eu cantarei: "ando por aí querendo te encontrar, em cada esquina paro em cada olhar. Deixo a tristeza e trago a esperança em seu lugar" 
Questionarei o quanto foi bom, o quanto poderia ser melhor, e ficarei no meio termo de que foi o suficiente para sentir falta. 
Então direi que estou bem, apenas sorrindo falsamente parecendo forte para tantos, sendo que tu saberá que existe uma ponta de fraqueza por dentro, reciprocamente. 
[ Teu orgulho acima da declaração de saudade, minha manipulação acima de expressar a saudade ]
Um jogo só nosso, indefinidamente divertido aos nossos olhares. 
Afinal, existem quilômetros chegando, minutos se multiplicando, meses virando anos.
Porém...


... Eu te amo.

[ Isso, o destino não pode negar ]

Bianca Maegi

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Reflexo I

Não, não amo. Todos querem saber por quê.
Mas eu não, não posso. Vivo por outro querer,
Em ser um ideal que ninguém atingiu [ Nunca vai atingir ]
Ainda tenho esperança em algo da crença distante daqui.
Senhores dos altares, julgando-me tão bem e tão mal,
Resvala minha alma do ser carnal.
Depositando dor sem igual no peito todo meu [ Que será de alguém ]

Do altar eu desço, do altar eu me abro.
Dele faço meu livro desajeitado,
Numa história deprimente de gente sem chão.
[Que afundou demais]

Bianca Maegi

terça-feira, 5 de abril de 2011

Conversão

Fui definhando minhas fraquezas sem delas, todavia, abandonar e criando uma aura de não sei o que, fui caminhando por lá. No corredor sem fim, alguma luz buscar, algum ser por fim, resgatar.
Acanhando o sentido oculto em querer ser o que não pode ser, vivendo em absoluto dever.
[ Não chorando, apenas seguindo ]
Numa esperança de salvação, a crença irrevogável. Alma reencarnada, alma querendo reencarnação.
Os filhos que provém de mim, serão tão complexos quanto eu, espero deles aprender muito, mesmo que logo eu, lhes ensine pouco. Ainda sendo fria e incalculável, amor por eles prometo oferecer.
[ De arte espero deles cuidar ]

Logo eu, sempre eu, alguém aí acolhe? Pois caminho no horizonte, desprezado pelo povo maior. Não juro sorrisos por me conhecer. [ Quase pouco conhecer ]
Complexidão me envolve, é preciso querer ver. E aprender de pouco em pouco, pois toda pressa me incomoda. E antes que sinta meu abandono, perceberá que nunca irei embora.
[ Nasci para deixar rastros, sinta-se feliz por arrastá-lo em meu sentimento ]

Bianca Maegi

segunda-feira, 28 de março de 2011

Trancafiado

Rosas são essência que ventos trazem ao sentir meu dos campos extensos onde todos me atraem com algum querer em ser, somente, algo repugnante.
Perdendo tempo em versos medíocres, sejam dia qualquer um livro grande para leitores desorientados adiante, mudem o trilho revertido.
Segue rumo ao desconhecido da jaula acorrentada querendo me soltar, num impasse refletido, minha consciência vem tomar.
Aprendo algum sexto sentido cada dia ao olhar do rosto bonito que vem visitar, acolhendo minha dor, querendo apagar qualquer pesadelo digno de aflição, ainda assim sou o corpo e alma que vive em vão.
Ao sopro dos ventos que cheiram as rosas, amaciam as peles, pressionam atenção.
Tudo sinto, nada vejo, nada toco, passa então... E na jaula eu amanheço, para dormir na solidão, onde sonhos são tolices que joguei pelo chão.

Bianca Maegi

terça-feira, 15 de março de 2011

Naturalmente Abstrato

Anjos não caem do céu, ou caminham na terra.
São peças pregadas na mente de cada um.
[ De certa forma, todos os tiveram ]

Não surgem, ou somem. Existem, ou hipnotizam.
São anjos e apenas.
Numa cruzilhada de branco, conspirando na alma.

Tive falsos anjos, quase pisei no inferno por eles.
E tenho os verdadeiros e legítimos, envolvendo-me em seus braços.
São todos os poucos de uma limitação da mente.
[ Em ser ilimitada ]

Fui tirando a razão, sentindo os anjos sem poder vê-los,
Agora fico no leigo rio de conspirações,
Rindo juntamente de seres nos quais não vivem na carne.
[ Mas ainda assim, atingem meus sentimentos ]


Bianca Maegi

terça-feira, 8 de março de 2011

Aviso Desnecessário


Então pessoas, o título "aviso desnecessário" justifica-se pelo fato de que tenho poucos leitores, então não faz muita diferença avisar.
Mas para os que curtem meus versos - na maioria das vezes sombrios - devo dizer que o blog ficará parado por tempo indeterminado.
Finalmente eu consegui elaborar uma história narrativa e decidi dedicar meu tempo nela. Sempre que sobrar um tempinho - e inspiração - prometo postar alguns versos no blog para vocês.
Aproveitando o momento, agradeço de coração todos que leêm meus poemas malucos e todo o apoio dos amigos que Deus sabe como são importantes para mim.
Fiquem na torcida para que eu consiga publicar um livro hein!

Aaah, adoro a opinião de vocês, então vou deixar um pedacinho qualquer da minha história para vocês lerem e comentarem. Não vou deixar muitos detalhes sobre o livro, portanto aproveitem o trecho.

Beeeeijos para todos e obrigada mais uma vez por tudo.


Trecho:

"E essa era minha situação atual, uma garota de 17 anos presa nos galhos da árvore seca do cemitério municipal prestes a ser devorada pelo guardião daquele lugar. Eram 3h45 da madrugada e o único fato de eu estar num cemitério, era que alguém havia me chamado até lá – certa voz bem similar daquela coisa dos meus pesadelos de infância – eu tinha uma raiva disso! Aquela voz sempre me hipnotizava e colocava-me nas piores emboscadas. Quando eu acordava era a mesma cena... Dava de cara com algum monstrengo querendo me matar!
Dessa vez foi caprichado, só lembro-me de estar tentando pular o portão principal, tropecei e fiquei presa nos galhos da árvore no interior do local. Não demorou muito para uma sombra enorme surgir e ir esmagando os túmulos no chão até o meu encontro.
A escuridão não ajudava e o fato de eu ter acabado de sair de uma hipnose deixou minha cabeça dando voltas. Forcei a vista e para minha surpresa – ou não – aquela coisa peluda estava me encarando. Ah! Que delícia que era aquele bafo de fígado com repolho!"

Comentem!

terça-feira, 1 de março de 2011

Segredo dos Céus

Os arcanjos amam-se no céu nublado,
Enquanto o sol brilha do outro lado,
No mundo dos "normais".

Os arcanjos deitam-se no gramado,
Abraçados contemplando,
A chegada dos amantes,
Flutuando como pena.

Cada verso torna-se amor,
Cada toque vira sexo.
Toda coisa e todo sentimento,
Mistura de nexos.

Quando sentem saudade,
E aproximam-se da morte,
É quando sentem a vontade,
De morrer ao lado do arcanjo.

Sabendo que todos podem julgar errado,
Mas para eles, está reservado o paraíso.
[ Amor não é pecado ]

E os arcanjos saem com as mãos atreladas,
Fingindo acreditar nas palavras desnecessárias.
[ Que dizem por aí ]


Bianca Maegi

Letra V

Os seres alarmam no calor do ventre,
O sentido de vingança que está por vir.
Se do passado veio, se do futuro chega,
Não sabem, mas acontece.

É inconsciente e necessário,
Suficiente e aloprado.
[ Feito com desdém ]

E perfura o peito machucado,
Arrasta dores pelos vasos,
Refaz um mundo de cabeça para baixo,
Torna tudo abusado.

Dores para aqui ficar,
Rancores por aqui guardar,
Um pouco de quase muito.
 [ Vinganças por fazer ]

Eliminando cada podre,
Arrasando corações,
Homens, homens... São movidos por isso.

Eles querem a letra V
[ E suas rimas declarar ]


Bianca Maegi

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

It's Always Better... When We're Together.

O que importa?
Calendários rasgaram, no lixo se foram.
[ Ainda assim, o que importa? ]
No tempo perdemos o juízo de ficar no lugar,
Nossa diversão era fugir do padrão.

Proximidade é esdrúxula...
[ Nem distância nos afastou ]
Pois somos os perdedores mais felizes do mundo.
Que perderam-se no carinho que sentem um pelo outro.
[ Chega ao patético ]

Se não agrada o resto... O que importa?

Fomos tudo e mais um pouco.
Quando falta título, somos o subtítulo.
Parte foi engraçada, parte foi magoada.
Momentos vêm e vão...

Perdemos, vencemos, choramos e gargalhamos.
Cada segundo foram 365 dias e ainda assim foi muito pouco.
Porque não acaba... O nosso tempo nunca acaba.

É como dizem por aí: "Para sempre"

Eu costumo acreditar no poder das palavras, se os outros não acreditam...

[ O que importa? ]


Bianca Maegi

Dotados

Os anjos podem abraçar os demônios e curar todo perdão renegado.
Os demônios lhe carregam pelos braços com jeito de retardados.
Pois cada um por algo foi capacitado.
Sendo anjos salvadores e demônios o prelúdio do fim dos tempos.
[ Ainda assim abraçados ]

Como os homens beijam moças,
Que chocam as faces com outras moças.
Entendendo o incompreenssível,
Sendo boas e tolas.
[ Traidores? ]

Cada homem burro foi para feliz no mundo aprender.
Capacitando seu ser com algo para crer.
Desvairando as estações,
Perdendo-se em sonhos.
Sendo homens e somente.
[ Justamente diferentes ]

Por uma causa tão igual...

Cada moça foi dama, foi luxúria, caiu na lama.
Cada dama virou moça, fazendo arte com suas curvas.
[ Fazendo escândalo ]

Num mundo de perdedores, ergue-me um Deus.
Que me traz as moças e os homens,
Me inspiram por natureza.
[ Mas não me iludem ]

Ele me capacitou o verso.
E do verso fico perto, da beira da ponte quebrada.
Salvando os anjos, antes que encontrem os demônios,
E levando as moças para a casa, afastando-lhes dos homens.
Sendo suficiente num curto espaço de tempo,
Sendo poeta e carteiro, dos versos de valor.

[ Meu poder é mudar tudo, antes que fique péssimo. ]

Minha borracha é meu escudo, meu verso?
[ Minha capacidade ]


Bianca Maegi