sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Maegicamente Existente II

Tudo que vejo são pássaros voando pelos céus abençoados, limitando-se pela busca do verão no meu coração que hiberna num prolongado inverno.
Tudo que sinto de mim é pena, e toda pena sempre me foi medíocre. Vou apodrecendo pelas manhãs, na esperança para que a chegada do pôr-do-sol apague-me e deixe meus céus desprovidos do brilho das estrelas.
E por um momento, toda purificação e acalmar dos ares límpidos torna-se meu grandioso veneno, infectando meus medos, destruindo meus desejos.
Quando cai a noite, é quando esgota-se minha vida. Espanto-me com sonhos que tornam-se pesadelos, por tempos remotos quis eu conhecer a morte e por sorte, ela me consome. [Vagarosamente...]
Cada nova manhã, algum negro abutre rodeia meu corpo na espera da carnificina. A fuga é inevitável, mas o desespero me persegue, alucina e concebe a imaculidade do meu ego egocêntrico.
Meu mundo externo levanta e cai. [Triste realidade...]
Meu interno corrói. [ Ilusionismo sangrento...]
Eu fui... [Talvez]
Eu sou... [Infelizmente]
Eu nunca deixei de ser...
[Suspiros]




Bianca Maegi

Maegicamente Existente

Estou fazendo minhas malas e dando adeus ao meu passado, quero o despertar do meu outro lado que nunca deveria ter adormecido.
Não quero voltar a ser, mas pretendo tornar-me algo mais. Tomara que pensem absurdos sobre mim, falem absurdos sobre mim, tomara que me joguem dentro de uma cova sem que eu tenha falecido, talvez só assim eu possa ressuscitar meu eu-verdadeiro.
Pulei muitas vezes do penhasco e desisti do desejar das asas. Agora piso em terra firme, nos dias de chuva torna-se lama, mas nunca rastejei-me por nada nem ninguém a ponto de engolir chão podre.
Podem cortar minha língua, mas não podem calar os fatos. Finjam ser as vítimas, vocês pagarão pelos seus atos. Finquem uma estaca de madeira, mas recuso-me a sugar seu sangue. Sei que querem que eu lhes deseje, mas nunca gostei de veneno para drogar-me.
Precisei sangrar para conhecer o horror, apaixonei-me para descobrir o quanto o amor é fútil, desprezei-me para tornar-me valiosa, aceitei muita coisa para aprender a negar, apanhei para defender, me perdi em ilusões para ganhar a realidade.
Eu fui ou eu sou, a verdade é que nunca serei inexistente. E por mais que apaguem minha vida, nunca apagarão meu nome. 


Bianca Maegi

Inevitável

Rios de lágrimas choram vítimas,
Em meus risos navegando.
Ó risada clandestina, meus desejos indagando.
[Leva...]

Leva minha maldade e apodrece minha dor,
Carrega minha alma ao obscuro do amor.
Aprofunda... Aprofunda...
Machuca. [E distorce]

Torno-me rica de versos,
Pobre de emoções,
Tediada em tédio,
Esperando o prazer.

Fui duas na mesma noite,
Sou vinte no mesmo dia,
Alterego e agonia,
Manias e manias. [Meu egocentrismo]

Com gestos te apaixono,
Com palavras dou-lhe tapas,
Arrisque resvalar-se,
Tornai-me abusada.

[Futilmente pensando]
Mesmo que partam minha cara,
Escondendo-a com máscaras,
Ainda corrói por dentro...
A minha porta sangrenta.

Bianca Maegi

Passagem

Amor, eu vejo.
Eu vejo as lágrimas de Antônio,
Percorrendo-lhe segredos,
Afundando num romance,
Até hoje nenhum beijo.

Amor, eu vejo.
O partir de minha Dulce,
Que negou-me um adeus,
E minha maquiagem borrada,
Lamentando minha face.

Amor, eu vejo.
Sabrina talvez seja minha,
E Lola continua a afundar,
Lurdes tenta me enganar,
E preocupo-me com pesadelos.

Amor, meu amor,
Tantas coisas vejo sem querer,
Tantas coisas deixei de crer,
E desacreditei você.

Por isso meu amor,
Absurdos refletem em meu espelho,
Mas sua imagem não existe,
Você é minha inexistência.

Bianca Maegi

Farsante

Ela arrastou sua mala,
Olhou para mim,
Com as mesmas palavras de amor,
Que não mais me iludem.

Desejou ter posse pela última vez,
Mas como estivesse eu comprometida,
Neguei cada aproximação.

Pediu meus abraços,
Ganhou minha indiferença.
E dei as costas,
Partindo antes dela.

E pode chorar,
Mas não tenho mais lágrimas de sangue para você.
Se a verdade é dura demais para ti,
Chore na companhia do gatilho.

Porque eu deixei de ter pena,
Eu podia mais...
Tive ódio,
E fui destruindo o amor no qual nunca existiu,
O amor é farsa...
E meus versos são farsantes...


Bianca Maegi