terça-feira, 27 de março de 2012

Verso Rei

Na escuridão do meu quarto sinto apenas o silêncio tateando o piso frio,
E sobe o calafrio do verso querendo adoecer o corpo já fraquejado de todo dia viver.
A luz está na mão de quem toca um lápis,
Sente, e vibra, e retorce o ser, rima de não crer na realidade imposta. Ah, verso maldito que insiste me dominar, eu lhe expondo como gíria.
Sou teu animal, me comande e lhe obedeço, teço a prosa como quer, deixo expor tudo que é e nada mais significa, deixa ser cruel, ou mesmo felizardo, nada supera tua força que me atinge como ondas do mar.
E quando escrevo a lua brilha, quando escrevo o mundo gira, quando escrevo a dor se vai quando continua sentida.
Ah, doce poeta, escravo do sentimento, servo das palavras. E desatina nesta ferida que rompe teu peito, se escreve, também chora, escreve e ri,
Escreve, urre e morde os lábios ao saber que os teus versos não são de verdade, e vive a impossibilidade de criar um mundo que não existe quando rabisca o papel.
Apodrece teu coração, ou enriquece tua mente, liberte o grito que se faz presente no interior de cada um, valendo por um só.
Verso! Grite comigo, durma comigo, acorde comigo, pense comigo! Ah verso! Torna meu corpo um suicida, reflita em mim o meu eu.
E assuste com quem sou, ou distorça este ser, constrói teu poeta do jeito que lhe for conveniente.
Névoa encobre a rua, os sons da madrugada são abafados, o mundo está calmo quando o poeta se desespera.
Este ritmo contrariado, animal diferente. Rosas vermelhas me parecem sangue, o mar me parece mistério, a dor resplandece como meio de viver.
Sou poeta, animal sem definição em latim.
Existo somente, ausente de sentido, obedeço ao verso.
A chuva lembram lágrimas, o véu esconde o corpo, o verso depravado, desperta o prazer de muitos, quando eu por eu, faço muito pouco.
Poeta, eu sou, eu não sinto o viver, eu sinto o verso!

Eu vivo o verso.
Bianca Maegi

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Tempo, Tempo, Tempo...

Sentimento é uma emoção solitária,
Resvala as causas do meu pensamento,
E pensando que sinto.
[E logo ela existe]

Sentir foi belo
Então a beleza tornou-se a vida
Mas esperar machuca.
Tempo, tempo...
O que se faz necessário esperar de mim?

Ah, é a dor do poeta!
Falta-me palavras descrever
A dor da espera.

E calar a boca parece normal,
Enquanto respostas se acumulam no peito
E a dor lamenta-se nas lágrimas
O grito ofegado pelo...
Tempo.

Óh céus!
Enxergo luz no breu da realidade

E sorrir já tornou-se natural
Gargalhar após chorar
[ Demora este dia chegar? ]

Confuso...
Tempo, o que se faz necessário esperar de mim?
Pois, que venha tua chuva e tua lama!
Se quer um soldado, talvez, eu seja.
Deixarei a chuva molhar essa terra seca
Forme lama por onde quiser!
Depois do temporal, nascerão flores
E tudo será belo.

Sentir o belo
Tornou-se a vida
Óh destino traiçoeiro
[ Eu sei que estás ao meu lado ]

É sublime
É sentir
É pensar

Ah, é a dor do poeta!
Falta-me palavras descrever
A dor da espera.

Bianca Maegi

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

A Ruína

Disse eu para um anjo:
- Talvez minha pior qualidade seja ter um coração bom, um coração que se deixa ser usado, machucado, abusado e continua se ferindo. Deve ser fraqueza, fraqueza em ser forte por mais de um, senão por todos. Força? É mais uma palavra de sentido múltiplo... Se força fosse algo só, eu não sofreria tanto. 
Sabe, ser bom nunca foi tão ruim, é assustador querer o melhor para alguém sem saber se é recíproco. Não que reciprocidade seja meu desejo, não peço nada em troca, meu esforço é individual e contínuo, sem cobranças, porém, tentarão sugar você. Sugar... Verbo horroroso, no entanto, é meu verbo enlaçado num outro alguém tentando tirar meu eu de mim. Estranho, não é mesmo?
Mais estranho seria se as pessoas aceitassem bondade sem querer tomá-la para si. Nosso mundo é egoísta, querer o bem de todos só fará todos quererem você fazendo o bem para eles, individualmente.
Sabe, nascer de novo seria meu último pedido, mesmo que nascer signifique abandonar aquilo que fui no passado, sem pensar nas consequências do futuro e sequer tornar-me o que sou hoje.
E quantas vezes não quis voar, até que a realidade de outro me puxasse para o chão? Os outros, [tantos outros]...
E por que insisto em vestir esta máscara de ser forte, se no fundo todos sabem que serei fraca? Fraca para render-me aos corações aflitos e tomar a aflição para mim.
Pois então... Eles foram felizes, apodrecendo meu coração. E nunca aprenderão como sorrir sem precisar me ver chorar.
Entretanto... Foram lágrimas tão bonitas.
Comovente, minha alegria é comovente! Senão, de que adiantaria sofrer para ser feliz? 
Felicidade... É tão fácil, é de graça, é linda, e eles tentam capitalizá-la. Sou feliz em servir, sou feliz em chorar, sou eternamente graça por tirar o sofrimento dos outros e sentir este sofrimento em mim.
Sabe, é coisa de nascença, veio no sangue e sangue ninguém tira.


O anjo olhava desorientado, devia ser tontura, estávamos num lugar muito alto, e pisávamos próximos à um precipício, abaixo seriam ruínas, dor, desespero, um passo em falso... Tudo acabaria. Ele pegou minha mão, estendeu suas asas formosas e suaves. Tudo me foi tão lindo... Meus olhos cheios de brilho. Porém, soltei da mão dele.


- Suas asas são maravilhosas, espero um dia tê-las comigo. Seria tão equivocado me levar contigo, como um anjo olha acima de alguém, se este alguém está na mesma altura? Seu olhar deve ser profundo, profundo como a ruína de ser humano. 


Ele tentou me segurar, mas era tarde, dei um passo para trás e cai... O buraco era tão grande que a queda era suave, vi meu anjo por alguns segundos observando-me afundar, depois... Sobrou eu e a queda. E pensava comigo:


"O tamanho da ruína deve ser o tamanho dos problemas do homem, se bem que não existe homem sem problemas... Tamanha ruína não cabe à mim tapar, mas poderei eu cobrir um pouco desta profundidade? Só sei que nasci para ajudar e saber ser ajudado, por acaso surgem obstáculos que tornam o ajudar algo mais complexo. Será que serei sugado? Se bem que todos somos naturalmente por esta ruína. Pode-se concluir que ninguém suga ninguém, apenas busca tranquilidade na paz de outro, e ainda assim, não me soa bem. Paz... Palavra múltipla. Detesto palavras múltiplas, talvez eu deva parar de falar então... Tudo é múltiplo quando se encara pessoas diferentes. E minha face é múltipla sendo uma só, no fim, dá no mesmo, toda face termina em crânio, é tudo igual, brincando de ser diferente... É o múltiplo se limitando em ser zero. E esta queda não acaba nunca... O vento contra meu corpo, zunindo e incomodando, parece a respiração de algo ruim e não serei eu que vou tirar-lhe o fôlego. Meu pretexto é dar fôlego aos afogados, aos humanos afogados, mesmo que dividir meu oxigênio seja o mesmo que suicídio."


Atingi o chão, sentia meus ossos fraquejados pela dor da queda. Ao levantar, notei que a ruína continuava a mesma merda, cheia de gente mal resolvida com a vida, cheia de pessoas querendo consolação... 


"Será que um dia, elas escaparão daqui e chegarão onde eu estava minutos atrás? Capaz que pulem para cá novamente, achar um lugar bom assusta porque parece um lugar inalcançável. Então, eu também tive medo? Pois é, tive medo. Medo de largar este mundo sem cumprir minha missão, eu tive que voltar, é cedo, muito cedo." 
"Agora entendo porque gosto das asas do meu anjo...
Sei que o único jeito de sair daqui, é um dia conquistando elas."
Bianca Maegi

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Careful

Entenda...
Nem sempre eles falam sério,
Eles não sabem ser verdadeiros,
Tudo é uma jogada de mestre,
[ Uma vítima, um assassino ]

Prefira o amor que eles escondem de você,
Aqueles que demonstram, claramente, estão fingindo amar.
Escolha os assassinos brutos,
Os pensadores causam muito desastre.

Saiba fingir
[ Para saber sobreviver ]
E esconda qualquer sintoma de estar sendo a vítima.
[ Os melhores sempre são assassinos ]

Perdoe e guarde lembranças,
Inteligente aquele que memoriza nomes.
Atinja o mais profundo deles
Bloqueie aquilo que os leva até você.

Não seja uma rocha
[ Uma hora elas quebram ]
Mas, seja uma corrente de ar.
[ Aprenda a ter transparência ]

Fale sempre e saiba as respostas com antecedência.
Apenas entenda eles.

[ Sendo que você sequer os conhece ]

Bianca Maegi

domingo, 11 de dezembro de 2011

Crítico

O amor é repulsivo, não é mesmo?
E repele-se de nós para se apegar num outro alguém.
Uma troca simultânea de repulsividade, talvez.
Tudo que colide, acaba cedendo.

Adorável, quando os corpos estremecem juntos.
Rapidamente se amando,
Uma guerra entre anjos e demônios,
Concedendo desejos além da mente humana.

As mãos podem ser nuvens,
As mãos podem ser garras,
Ninguém sabe o gosto do outro
[E vai cair na tentação de saber]

Por que a sensação é do paraíso, se tudo é tão carnal?
E parece perfeitamente uma catástrofe.
Inveje os que estão muito bem juntos,
Mas não se iluda, o amor politicamente correto é disfarce.

E quando cansar de criticar os amores externos,
Descubra o amor carregado consigo.
Iremos amar até que um dilúvio nos afunde,
Tocaremos nossas peles até que peguem fogo,
Descobriremos que o amor acaba rápido,
Porque tem pressa de recomeçar.

E lá vamos nós, novamente...
Nas profundezas do ato de sentir,
Sentir sem pensar.
[Pois pensadores não amam]

Bianca Maegi